Ser-Tão Paulistano

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O Ser-Tão Paulistano contém postagens e comentários.

21.12.09

Fernanda

Estava a procura da imagem perfeita para o encerramento do ano, "na parte que me cabe neste latifúndio", e a primeira foi a escolhida sem disputa, talvez pela desistência das demais. Já disseram e ainda dizem que uma imagem vale por mil palavras e então tudo se complica se a imagem é de uma escritora e para nosso enorme gáudio a nossa Estimada, Criativa e Querida Editora Chefe.

Nestes dias de dezembro a gente esquece as broncas, as cobranças e pede permissão ao distinto público para dizer que ela "é a maior". Durante os shows da Kátya Teixeira a Fernanda passa todo tempo a saudar: "é a maior, é a maior" e agora, vamos também soltar os pulmões: "é a maior, é a maior". O primeiro prêmio a gente jamais esquec
e, né Fernanda?.

Ter como chefe uma Futura Imortal é o "máximo da chiqueza". Não é não?.


Recebimento do prêmio na sede da Academia Brasileira de Letras

E o Joca escreveu:


... e o vencedor é...

Caros amigos (perdoem o lugar-comum e a falta da imaginação , que pode valer uma seríííssima advertência por parte da Editora Chefa Fernanda): o ser-tão paulistano que se prodigalizou em acolher em seu espaço manifestações culturais e artísticas que não encontram ecos por parte da mídia nativa oficial, desta feita, orgulhosamente, vem a baila trazendo frutos dos mais viçosos e de nossa própria lavra. Nossa Editora Chefa, a Única, a Inigualável, a Incomum, a Inquestionável, a Soberba, a Alumiada, a Genial, a Linda e etc. Fernanda foi justamente laureada pela Academia Brasileira de Letras com a conquista do cobiçado premio do Concurso Internacional de Literatura 2009 promovido pela União Brasileira de Escritores, para orgulho de todos nós, seus amigos e fãs do sertão paulistano.


Naturalmente que para nós não é surpresa nenhuma, pois conhecemos de perto o valor e o talento da moça-prodígio. Mas o reconhecimento oficial da seletíssima, secular e tradicional ABL é de "facto" algo muito bacana, que nos enche de alegria. A propósito: sabemos de sua modéstia, mas nossa Editora Chefa está nos devendo contar em suas próprias palavras sua aventura literária!.

O Joca já consultou seu Muso Literário, o bravo Ariano Suassuna e o mesmo vaticinou: Fernada Ramirez de Aragão (esse "de" denota sua origem nobre) é "gênio da raça brasileira!".

18.12.09

Cantoria Saideira

A saideira é de lei. Tipo assim uma constituição com parágrafo primeiro e único ou o que os legisladores chamam de cláusula pétrea. Leis simples que regem o destino do boteco de boa formação, mantenedor das heróicas tradições. A saideira de verdade conta com apoio do bom dono de boteco, que muitas vezes diz a frase mágica: "esta é por conta da casa" e até dá uma bicadinha ou autoriza o garçom que nos "aguentou". Tradições que não são mantidas nos lugares da moda. Botecos chiques e da moda, tô fora. Vou propor à nossa estimada Editora Chefe uma campanha no sentido da valorização dos cantinhos de verdade, se bem que ela...

E falando de saideira a nossa dica musical saideira. Saideira de dois mil e nove com musica de relaxo para relaxar do dois mil e nove e deslanchar para o dois mil e dez. E os indicados para a missão só podem ser Jica & Turcão.
Veja o que diz o site deles: " Com mais de dez anos de existência, a dupla Jica y Turcão já faz parte do cenário musical brasileiro. Seu primeiro disco, "Música de Relaxo", relançado recentemente, vendeu aproximadamente 10000 cópias e foi indicado ao Prêmio Sharp em 1996. Herdeiros do bom humor brasileiro das antigas duplas caipiras, adoram brincar com os elementos de nosso cotidiano, através de sátiras e paródias, afinal rir ainda é o melhor remédio. As performances dos rapazes são impagáveis ..."

O local só pode ser o Bar do Frango, por demais "decantado" em nossas páginas no ano que ora está no fim. Um dos locais de boa formação acima citados e que anuncia a Cantoria Saideira depois de tantas cantorias, de tantos artistas da mais alta qualidade que ali se apresentaram.

No Bar do Frango as cantorias, e não só dos citados rapazes, são mesmo impagáveis....no bom sentido de que não há cobrança de couvert artistico.

Sábado, dia dezenove.

Até a Cantoria "Abrideira".

16.12.09

Programa de natal

Houve um tempo em que alguns comentários, algumas brincadeiras eram feitos e aceitos sem nenhuma forma de “patrulhamento”. Em tempos de ”politicamente corretos”, se ditos hoje, além de “incorretos”, podem até terminar em prisão.

Expressões como “programa de índio” eram ditas sem nenhuma cerimônia em situações como o convite de churrasco feito pelo cunhado e lá chegando a cerveja estar quente, servida em copo de plástico, a carne não dá para o começo, ele “enche a cara”, briga com a mulher e o vizinho, que é seu compadre. Ou também chamar alguém de "indião" quando o cara não era lá muito educado.

Aqui em São Paulo, ali no Largo do Arouche, houve uma manifestação de índios de uma tribo do litoral. Acamparam em frente a um prédio do Ministério da Saúde para exigir assistência médica, obrigação governamental já que eles são considerados “incapazes” e tem a proteção do Estado. O transito foi interrompido em uma das ruas e, lógico, os protestos dos brancos, pois além dos incômodos onde já se viu índio protestando?. Na mesma época os jornais noticiaram a situação vergonhosa de um hospital no Campo Limpo com doentes nos corredores e filas de espera em uma uma região das mais carentes e populosas de São Paulo. Eram os brancos recebendo “tratamento de índio” ao mesmo tempo que os índios procuravam “tratamento de branco”.

Em um Natal recente a nossa Editora Chefe foi convidada a participar de uma atividade pré natalina de entrega de brinquedos a crianças carentes, corriqueiras nesta época. Convocado por ela também fui e nós, com o coração aberto, estávamos no local determinado as oito horas da manhã de um sábado. O grupo teve a idéia do movimento e, já faziam há alguns anos, em um almoço de Natal, quando as consciências chegaram a uma conclusão: “nós aqui com o bom e o melhor e crianças sem nada em uma data como esta”. Estudaram uma forma de contribuição e arrecadação de brinquedos para o próximo Natal. O dinheiro serve para compra de brinquedos na Vinte e Cinco, bonecas e carrinhos de plástico da marca ching ling e doces. Vizinhos e amigos contribuem com brinquedos usados e, bem usados. Por volta do meio dia partimos em direção ao primeiro objetivo que é uma tribo de índios do Jaguaré.
Tribo é uma forma romântica de dizer onde moram, casas inacabadas de tijolos e, como havia chovido na noite anterior, muito bairro. Com barulho das buzinas e as pessoas chamando para a distribuição de brinquedos começam a chegar as crianças, sujas de barro, com suas mães. São orientados a ficarem em fila, coisa de branco civilizado, para a entrega. A expressão de decepção dos indiozinhos recebendo os presentes, os meninos caminhões e as meninas bonecas de plástico ching e ling, é dura de esquecer.

Alguém havia feito a doação de uma grande quantidade de bambolês, provavelmente um comerciante com estoque encalhado há muitos anos. A última vez que foi mania entre os brancos data de uma novela global do século passado que tinha o nome do brinquedo. Dá para imaginar a reação das crianças índias recebendo de presente um bambolê?. Muitos não desceram até o local, para evitar a decepção, o que levou o organizador chefe da turma a perguntar: “não está faltando índio?”.


Fica bem a resposta: “faltando índio onde cara pálida”?.

7.12.09

MUSICA NA PRAÇA, ANDANÇAS NO SERTÃO E SAUDADES

As estradas e trilhas do ser-tão paulistano escondem tesouros, vindo a contrapelo da lenda inverídica, mística criada pelo tal progresso, que diz que em São Paulo, tudo se dá as carreiras, tudo é pressa – insensível voracidade nonsense. Isso pode valer para a técnica e pujança financeira, mas como Sampa tem a vocação cosmopolita (isso, sim, absolutamente verídico, atesto e assino e convoco o guru ZéMaria pra comprovar! E chamo de testemunhas mestre Giba da Viola e a editora chefa Fernanda!), então, que se atente a desvendar os Caminhos do Peabirú,
rotas secretas antiqüíssimas, que não deixam ninguém se perder na imensidão desses sertões!


















Dani e Antonio Pereira: duo no Bar do Frango
Assim, Sampa não é somente o cinza sem vida dos arranha-céus ou a poluição dos ares e rios: “tem rede cheirosa nos avarandados, moringa de água fresca” * nas frondosas árvores do Ibirapuera ou Trianon; e pra quem quiser,
cerveja gelada no ponto nos botecos; musica da boa no Bar do Frango, no Lua Nova, no Teatro da Vila, no Empório Santa Helena, etc.

Noite dessas, depois de mais um brilhante show da Katya, que retorna no melhor da forma, depois de quase um ano de molho, saí pra aspirar o soberbo frescor de uma noite de sábado, quando oiço dedilhar de cordas e uma voz feminina ecoando na noite, capaz de fazer o Coral Celestial dar uma olhadela para essa concorrente cá embaixo, nesse plano das três dimensões: chego mais perto e vejo que a voz nada tem de etérea, mas é muito da humana: da escola das Divas brasileiras, de Maysa, Dalva e com coloridos do bem mundano jazz! Que o Coral Celestial fique despreocupado, pois Graziela Hessel canta para os mortais e gente que dança nas praças e se enleva nos sons urbanos.








"Seu" Nilson, Graziela e Lucas (de costas com o violão)
Sentada no banco da praça, ali no inicio da avenida São Lucas, de um lado tinha seu Nilson do violão, seresteiro da velha estirpe que vez ou outra soltava seu vozeirão e homenageava dignamente Cartola, Nelson Cavaquinho, Carlos Cachaça, Silvio Caldas e outros. E do outro lado, um jovem violonista da novíssima geração, Lucas Mandetta, que não se faz de rogado e quem viver há-de ver e ouvir o menino que representa dignamente nossa escola violonista: dentre suas influencias, Chico Branco, o maestro Edson Tobinaga e como se vê aqui, seu Nilson, da velha estirpe boêmia. (diga-se que Lucas é rebento da própria lavra de Grazzie e do Sakae).
Lucas Mandetta
Num canto da praça, o guru ZéMaria assunta embevecido a fluidez de gentes que dançam alegres. Outros, como ele, apreciam por puro deleite a música que faz com que nem percebamos um ou outro carro com escapamento aberto que vez ou outra passa; Giba da Viola, bem acompanhado, aparece por lá; até a musa verdadeira surge lá pelas tantas, para a alegria de meu cavalo, o Murzelo Alazão, que adorava a missão de carregá-la na garupa, singrando as trilhas e veredas do sertão.











Luciana, Giba, ZéMaria




Porém, alcançam-nos, eventualmente, as horas medonhas, no dizer de Elomar e as violas e as vozes silenciam e o melhor do canto da vida, “se aquieta dentro de nós.” **
“Calundú e Cacorê”, outro tema elomariano, que versa sobre os estados alternados que assaltam os vaqueiros em sua faina: a alegria do aboio e da condução das reses e os momentos de indizível solidão, também refletida nos mesmos aboios: alegrias e tristezas, saudades, sina de quem prossegue: certeza de vida, brada o poeta!

Nessas andanças, recordo com enorme saudade meu irmão, mais velho, que voltou ao seio do Criador – “o que é de Deus, a Ele torna”, diz Carlos Nejar.
Esse ano marcou a perda de duas pessoas fundamentais em minha trajetória: o rabequeiro Zé Gomes, que me incentivou a seguir pelo caminho das letras; e esse meu Mano: diga-se que em grande medida, me tornei o que sou graças ao imenso amor que ele, o Isaias, devotava a musica, principalmente caipira. Lembro-me dele ensaiando horas e horas para simplesmente cantar num baile lá na roça ou para o Ranchinho do Sapucaia, na Radio Junqueirópolis, onde tinha um horário patrocinado pela Loja dos Retalhos e o inesquecível bordão criado por ele : “A que mais barato vende e melhor atende!” Para ele, não fazia diferença, se ia tocar na rádio ou no baile: não valia errar ou desafinar, cada cantiga era repetida à exaustão, até encontrar o tom correto. E fazia tudo isso “apenas de ouvido”, conhecia por intuição apenas os acordes básicos. Queria eu ter sido violeiro e cantador, seguindo seu exemplo, mas o Criador sabe o que faz e cada macaco no seu galho ou “a cabra ao mato, o porco ao chiqueiro” *** ou ainda “antes trabalhar domingo que furtar na segunda feira” ****. Ou seja: antes ser bom ouvinte do que péssimo cantor!

Meninote ainda, lá no Pontal, cresci ao som de muita viola e cantorias. Por muito tempo fiquei sem compreender como é que meu irmão cabia dentro daquela caixinha de madeira com dois botões e um estreito painel de vidro na frente, pois de lá saía sua voz, todas as tardes de domingo. Ele me dizia que ia tocar na Difusora de Junqueiropolos, no Ranchinho do Sapucaia, mas como é que aparecia sua voz cantando na caixa de madeira? Eu olhava por trás, pelas frestas e nada de ver meu mano! (se não tivesse gente de olho, era bem capaz que eu abrisse o diacho da caixa, que os mais velhos chamavam de rádio de pilha!) Nesse Ranchinho do Sapucaia, dezenas de violeiros e duplas de todas as fazendas da região lá se reuniam aos domingos, em busca da vez de cantar! Era notório o fato de duplas que cantavam maravilhosamente nas rodas, mas quando ficavam diante do microfone, vinha a tremedeira e não saía nada ou então, inexplicavelmente desafinavam! A região era um celeiro de artistas. É bem possível que o Sr, José Pereira, o hoje internacionalmente conhecido Índio Cachoeira, tenha passado pelo Ranchinho – ele devia ser muito menino na época, uns 14, 15 anos. Fazendo jus ao nosso orgulho, o violeiro Julio Santin, de Irapurú, cidade vizinha, hoje representa a região com galhardia. Da vida parte, sem rancores ou amarguras. Deixa saudades e a lição de luta, de tudo encarar com franqueza e simplicidade, com a mesma naturalidade com que tocava e cantava por puro prazer...


Seguimos, seguimos, sempre em frente, um olho no futuro outro lá atrás, nas nossas origens, nunca esquecer de onde viemos: a História somos nós! O Matuto Moderno e seus arrojados arranjos que o digam!

*João Ba
** Atahualpa Yupanqui
*** Augusto Roa Bastos
**** Guimarães Rosa

4.12.09

Um poço em cada quintal.

O bairro de Vila Prudente é um dos mais antigos de São Paulo. O ano da graça de 1.890 marca o início do funcionamento da fábrica de chocolate Falchi que levou moradores de bairros vizinhos mais antigos, como o Ipiranga. Em volta da fábrica foram construidas as casas dos trabalhadores. Muitas existem até hoje com ruas tranqüilas, estreitas, muro baixo, sem grades, vizinhos que se cumprimentam com bom dia e mantém o hábito de conversas de fim de tarde em frente aos portões.

Quando não existia o serviço de água encanada boa parte das residências tinham poços artesianos nos quintais. Recentemente em um das casas, lá pelos lados do Parque São Lucas, dentro dos limites da Vila Prudente e perto do Bar do Frango, o piso da cozinha “afundou”. Foi construída sob um poço aterrado há quarenta anos e, afirmam os técnicos, de maneira precária. Era uma prática normal o aterramento, o que tem deixado os vizinhos preocupados, “com a pulga atrás da orelha”.

Lá pelas bandas de Paraguaçú quase todas as casas também tinham um prá chamar de seu. O “poceiro” era um dos profissionais mais requisitados e bem quisto. Não lembro o nome de um que eram bem conhecido. Peço a ajuda da memória prodigiosa da minha amiga, a Tim, uma cultuadora dos bons tempos e que nos dá o privilégio de fiel leitora do que por aqui se escreve. Não bastava “apenas” a perfuração, que era feita manualmente e sim e principalmente, o acabamento na superfície com a “amarração” perfeita e cuidadosa de tijolos em volta para evitar qualquer acidente.

Na minha casa também havia um que foi aterrado lá pelos anos sessenta quando “chegou a água nas casas”. Foi na época da construção do prédio da CAGESP, o que exigiu a retirada de toneladas de terra. Era só ir até a construção, dar o endereço que imediatamente os caminhões descarregavam quanta terra fosse necessária. A construtora agradecia e muitos aproveitaram a oportunidade para fechar seus poços.

Naquela época existia a CAGESP (Companhia de Armazéns do Estado de São Paulo) e a CEASA (Centro Estadual de Abastecimento) que foram unificadas no ano de um mil novecentos e sessenta e nove e permanecendo até hoje om o nome de CEAGESP (Companhia de Entrepostos e Armazens Gerais do Estado de São Paulo. Nesses dias meu pai trabalhava na Anderson Clayton e anos depois foi trabalhar na já CEAGESP, onde se aposentou.

As lembranças boas dos bons tempos não são suficientes para impedir uma tristeza. A dona Maria de Lourdes Alttiman, de sessenta anos, que estava na residência quando o chão cedeu foi hospitalizada e infelizmente morreu dias depois. Vi a imagem do Seu Cândido Alves de Souza, de sessenta e cinco anos, logo após o acidente, chorando, preocupado com a esposa e companheira de tantos anos. Uma cena das mais emocionantes, demonstração de amor sincero. Não o conheço Seu Antonio. Também chorei. Sinto sua perda.

25.11.09

Violas que contam causos no Embu das Artes


Dia 12/dezembro - 21:30 horas - Reserve lugar!
Show de Miltinho Edilberto e Oswaldinho Viana – Inédito

Imagine o casario histórico do século XVII, a lua, uma ambientação super charmosa e premiada pela Revista Casa e Jardim. Imagine o papo com os amigos, a cachacinha, o cheiros e a comidinha do interior.

Agora imagine um show onde as violas contam e cantam causos divertidíssimos, numa riqueza de sons e prosa.

Estes músicos e folcloristas excepcionais tem carreiras distintas, mas como bons e velhos companheiros, trarão suas diferentes experiências em um entrosamento perfeito e inusitado. Duas violas juntas , duas vozes marcantes, mestres na arte de contar e cantar histórias, não perca este show, o encerramento com chave de ouro das atividades Culturais do Empório Santa Helena neste ano.

E para abrir os trabalhos os meus “causos” e a minha violinha, que além de fã sou discípulo destes dois.

Então vá para o Empório Santa Helena, no Largo dos Jesuitas (em frente ao museu de Arte Sacra do Centro Histórico do Embu das Artes).

Reservas: (11) 8179-6876 (11) 6311-5808 e (11) 4778-1000

Giba da Viola.

Saiba mais em:

http://www.restaurantesantahelena.com.br/

http://www.miltinhoedilberto.com.br/

http://www.myspace.com/oswaldinhoemarisaviana

23.11.09

Lira dos 30 anos


Está rolando projeto que lembra o Lira Paulistana, efervecente porão da música em Pinheiros.

> por Pedro Ivo Dubra

Um livro do escritor Mário de Andrade (1893-1945) deu nome a um agitado porão da Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros. Durante sete anos, entre 1979 e 1986, ali funcionou o Lira Paulistana, teatro que virou um mito da música alternativa na cidade. Nesse espaço se revelaram, em shows memoráveis, Cida Moreira, Itamar Assumpção com sua banda Isca de Polícia e muitos outros - aglutinados no que se convencionou chamar devanguarda paulistana. A hoje histórica casa ganha tributo com um projeto chamado Lira dos Trinta Anos (outra referência poética: Lira dos Vinte Anos é o título de uma obra do autor romântico Álvares de Azevedo).

Até o fim de dezembro, artistas que pisaram naquele palquinho ou estiveram na plateia assistindo aos irreverentes espetáculos ocupam três salas do Sesc Consolação. Para dar início aos trabalhos, na terça (17), foi escalada a banda Isca de Polícia, que divide as atenções com a cantora Anelis Assumpção, fi lha de Itamar (1949-2003). Na quarta (18), há dois grupos divertidos: o Língua de Trapo e o Premeditando o Breque. Antes dos espetáculos desta semana, ambos no Teatro Sesc Anchieta, será projetada uma versão de trinta minutos do documentário que Riba de Castro, um dos idealizadores do velho Lira, está produzindo sobre a época. Nas próximas semanas exibem-se Arrigo Barnabé, Tetê e Alzira Espíndola, Passoca, Ná Ozzetti, Jorge Mautner...

SERVIÇO:
Lira dos 30 Anos. 12 anos. Teatro Sesc Anchieta (320 lugares). Rua Doutor Vila Nova, 245, Consolação, ☎ 3234-3000. Terça (17) e quarta (18), 21h. R$ 10,00. Bilheteria: a partir das 12h (ter. e qua.). Ingressos também no CineSesc e nas demais unidades do Sesc. Até 31 de dezembro.

> A MOÇADA DE LIRA

por Laerte Sarrumor

Mãe sempre acha o filho ou a filha a coisa mais linda do mundo. E às vezes é mesmo. A mãe da Gisele Bündchen, por exemplo, pode afirmar de boca cheia. Eu sempre me perguntei se considero esse pessoal da Vanguarda Paulista genial porque são da minha "turma" ou se são realmente artistas fora do comum. Só sei que travei conhecimento com essa gente naquela noite de maio de 1979, quando fui com colegas da faculdade de jornalismo assistir ao 1º Festival Universitário da Música Popular Brasileira, da TV Cultura, no Teatro Pixinguinha, que ficava no primeiro andar do Sesc Vila Nova, atualmente Sesc Consolação. Muita gente boa se apresentou nesse festival: Celso Viáfora, Eliana Estevão e até o Marcelo Rubens Paiva, de pé, dançando e cantando sua composição Kibamba (como é mencionado no livro e na peça Feliz Ano Velho). Mas quando vi e ouvi Arrigo Barnabé e banda e o conjunto Premeditando o Breque - que ficaram respectivamente em primeiro e segundo lugares, com Diversões Eletrônicas e Brigando na Lua - eu tive um verdadeiro choque. Eles estavam fazendo exatamente o que eu também fazia! Música com letra bem-humorada, tocada com displicência e irreverência. Só que de uma maneira muito mais ousada e inovadora. No caso do Arrigo, com o requinte da dodecafonia e do atonalismo. Ainda em transe, fui pra casa e compus Prazer, um samba de breque metido a non sense, apresentado pela primeira vez ainda naquele semestre, no show de música e poesia que lançava a revista literária da faculdade, Esquina do Grito (Que as Bocas Que se Perderam no Tempo Falem e Cantem na Esquina do Grito era o nome completo). Nesse sarau lítero-musical cantei também Na Minha Boca e Consciência Geral, de minha autoria, e Por Falar em Anistia, de Guca Domenico, parceiro desde a primeira hora. Assim foi gerado o Língua de Trapo.Ainda nessa fase embrionária gravamos uma fita cassete independente, Sutil como um Cassetete, e a lançamos em shows no circuito universitário e em festivais, até chegarmos ao projeto Virada Paulista, em 1981, que reuniu 42 trabalhos musicais desconhecidos para serem apresentados no Teatro Lira Paulistana, o charmoso porão cultural, onde tudo acontecia. O Lira logo ficou sendo nossa casa, ninho acolhedor que abrigava a moçada que representava "a nova cara da música popular brasileira". Depois desse projeto, ganhamos uma temporada própria, às segundas e terças, um dos horários alternativos (lá aconteciam shows e peças teatrais de domingo a domingo, em vários horários). Em 82 gravamos o primeiro bolachão, Língua de Trapo - no estúdio Áudio Patrulha, do nosso ídolo e mestre Tico Terpins, da banda Joelho de Porco -, lançado pelo selo Lira Paulistana numa temporada de dois meses no glorioso porão, agora no "horário nobre" (de quarta a domingo), com a plateia abarrotada de gente. Muitas vezes tivemos de fazer duas sessões, e mesmo assim ainda ficava gente pra fora. Em pouco tempo nós e os colegas de geração - Premê, Itamar Assumpção e Banda Isca de Polícia, grupo Rumo e outros "bambas" - começamos a não caber mais no Lira, tendo que migrar para espaços maiores, como o Centro Cultural, o Sesc Pompeia e teatros da Prefeitura, como o Paulo Eiró e o João Caetano. Mas mantivemos o vínculo com o pessoal do Lira. Além de ser a nossa gravadora, de o jornal Lira Paulistana divulgar nossos espetáculos mesmo em outros espaços, e dos shows gigantes promovidos pelo Lira com a Secretaria de Estado da Cultura - no litoral, em Campos do Jordão, na Avenida Paulista, na Praça Benedito Calixto -, tinha a coisa da brodagem. A gente podia contar com o velho e bom porão pra fazer um programa com plateia, comemorando o "aniversário de seis meses" da Rádio Matraca, ou pra reunir e organizar os fãs do Língua de Trapo para torcerem pela música Os Metaleiros Também Amam, no Festival dos Festivais, da Rede Globo, ou ainda para fazer um show-vigília no dia da votação das Diretas Já. E agora estamos aqui, 30 anos depois, para festejar a lembrança do saudoso teatro - pequetito pero muy cumplidor -, curiosamente no mesmo prédio onde conheci o trabalho dessa moçada talentosa. Sobre a qual posso afirmar, agora com certeza: não é bairrismo nem corujice de mãe. Esse pessoal da geração Lira Paulistana é mesmo batuta. *Laert Sarrumor é músico, humorista, vocalista e fundador do grupo Língua de Trapo, um dos idealizadores do projeto Lira dos 30 Anos.

> AGENDA PARA DEZEMBRO / 2009 / BOCA NO TROMBONE
(enviada pela Bete, lembrando que Deo Lopes estará lá!)

LIRA PAULISTANA - 30 ANOS DEPOIS
BOCA NO TROMBONE
FUNARTE – Fundação Nacional das Artes – SÃO PAULO-SP
Ingresso : R$ 10,00 - Alameda Notman, campos Elísios

Quinta 03 - 19h
MUNDOS - FUTURO ANTIGO - O SURTO - SMACK

Sexta, 04 - 19h
CATAIA - DEO LOPES - PARANGA

Sábado, 05 - 19h
CUMIEIRA - ARRIGO BARNABE

Domingo, 06 - 20h
ANELYS ASSUMPÇÃO -

Quinta 10 – 19 h
PERCUTINDO MUNDOS
INSTRUMENTAL FARIA&BANDA

Sexta -11 – 19 hs
ESTRAMBELHADOS - LUCIANA - SUZANA SALLES

Sábado, 12 – 19 hs
SWYCHELLES - MERCENÁRIAS

Domingo, 13- 20 hs
ZAMBOMBA - LÍNGUA DE TRAPO
- ISCA DE POLICIA - ARRIGO BARNABE

19.11.09

O João e o Virgulino - A saga continua.

Era a intenção de colocar a letra de Bicharia logo após o "post" de ontem. A blogosfera tem razões que a própria razão desconhece e, caipira assumido e com conhecimentos ainda precários de internetês, não vou procurar entender as razões.
A nossa Editora Chefe não recomenda, no seu Manual Interno, esse "tipo arranjo" mas, tem sempre um mas, aproveito de sua fase alto astral entre os louros de suas premiações e o moreno do amor, e ouvir a bronca no futuro que, "por sinal a Deus pertence" (frase feita, o que ela detesta).


Bicharia, do Chico, do musical Saltimbancos.

Au, au, au. Hi-ho hi-ho

Miau, miau, miau. Cocorocó.

O animal é tão bacana
Mas também não é nenhum banana.
Quando a porca torce o rabo
Pode ser o diabo
E ora vejam só.
Era uma vez
(E é ainda)
certo país
(E é ainda)
Onde os animais
Eram tratados como bestas
(São ainda, são ainda)
Tinha um barão
(Tem ainda)
Espertalhão
(Tem ainda)
Nunca trabalhava
E então achava a vida linda
(E acha ainda, e acha ainda)
O animal é paciente
Mas também não é nenhum demente
Quando o homem exagera
Bicho vira fera
E ora vejam só.
Puxa, jumento(Só puxava)
Choca galinha
(Só chocava)
Rápido, cachorro
Guarda a casa, corre e volta
(Só corria, só voltava).
Mas chega um dia
(Chega um dia)
Que o bicho chia
(Bicho chia)
Bota pra quebrar
E eu quero ver quem paga o pato
Pois vai ser um saco de gatos
Au, au, au. Hi-ho hi-ho.

18.11.09

O João e o Virgulino


No bairro da Saúde a Escola Estadual Érico de Abreu Sodré que tem entre seus alunos alguns especiais, com dificuldades de aprendizagem e outras síndromes procurou um projeto educacional diferente para elas. Instalou um horta e um galinheiro objetivando despertar a auto estima, dar uma oportunidade de cuidar dos animais e das plantas e sentirem-se uteis. As cerca de trinta aves, galinhas, pintinhos e...dois galos: o João e o Virgulino estão ajudando, e bastante, no aprendizado e relacionamento das crianças.

Como é da natureza dos galos eles são madrugadores, funcionam como um relógio ao acordar no mesmo horário toda madrugada, mantendo o hábito de cantar “a plenos pulmões” anunciando um novo dia. E como sempre o que agrada a uns desagrada a outros, alguns dos vizinhos sentiram-se incomodados com o alegre despertar dos galos. Um deles lançou um manifesto “não permita que o galo faça cocoricó na sua orelha” e saiu a cata de assinaturas. Um outro morador disse que seus filhos acordam e não conseguem mais dormir pois “imaginam que a gritaria vem de algum monstro”. Leiam que ele disse “gritaria” em um enorme desprezo ao mavioso canto. Que oportunidade está sendo perdida pelos pais para ensinar, para tirar os filhos de dentro de casa e participar do projeto. Grande parte das crianças das cidades nunca viram uma galinha, uma vaca e tem mesmo é que ficarem assustadas. Será que mudaram a letra da canção de ninar e cantam para os filhos (ainda existe este cerimonial?): nana, neném,que o galo vem pegar, papai tá na roça, mamãe foi cozinhar ?.

Para quem é caipira é um prazer enorme poder ouvir o canto do galo e, mesmo nas cidades do interior isto não é mais possível, já não existem os galinheiros nas residências, dá trabalho, os vizinhos também reclamam e ovos e frangos congelados estão à venda em mercadinhos e quitandas. “Há sempre uma perto de você”.

Talvez uma Assessoria de Imagem e Marketing (não a da Uniban) possa ser útil ao João e ao Virgulino e, quem sabe, criar um nome artístico, pois cantam de graça, por prazer, pelo dom que a natureza lhes deu. Aquela cantora que cobra caro e, como não canta de madrugada fere os ouvidos em outras horas, já usa um galo no nome. Galo da Madrugada é um bloco de carnaval famoso em Olinda e não pode ser usado; Seu Galo pode parecer uma homenagem ao Seu Jorge; Só Galo fica muito restritivo; São Galo pode parecer que é competição desonesta num país de bispos, apóstolos, apóstolas e profetizas e onde já existe a San Galo. Sei não.

Mas como sempre o que desagrada a uns agrada a outros, alguns dos vizinhos não sentiram-se incomodados com o alegre despertar dos galos e criaram a campanha “Fique João, Fique Virgulino”. Está aberta a temporada de catar assinaturas pró e contra. A Diretoria da Escola pensa em um plebiscito, uma consulta popular para decidir o futuro do galinheiro e a paz voltar ao terreiro. Já penso em tornar-me um morador, mesmo que temporário, daquelas bandas e “vestir a camisa da luta” pela permanência do João e do Virgulino. Aliás, é bom que se escreva, estou sentindo um certo acomodamento do Virgulino, está muito quietinho, talvez mineiramente arregimentando “ galos cabras” para a resistência. Não pode negar o nome do Grande Capitão Virgulino.

Ah!, as crianças não foram consultadas. Elas estão muito felizes, ao lado do benefiício de aprendizagem e relacionamento, com a convivência amistosa com as aves.

9.11.09

Música Caipira (debate)

Para quem não viu o debate no Programa Ver TV, do Canal Câmara, aqui está. Música Caipira em foco. Vale a pena.

"A música de raiz - ou música caipira - é o tema do Ver TV. Sucesso em grande parte do Brasil, o gênero encontra pouco espaço na televisão aberta e concorre com a chamada música sertaneja, mais distante de nossas raízes musicais. Os espaços para a música caipira são pequenos, dificultando a formação de novos artistas e, principalmente, de um novo público. O programa faz uma análise da situação atual, mostra um pouco dessa música e mostra como ela pode conquistar públicos cada vez maiores.

Participam João Paulo Amaral, músico e pesquisador, mestre em música (viola caipira) pela Unicamp, Universidade de Campinas; Luiz Rocha, apresentador do programa Brasil Caipira, exibido pela TV Câmara, e Antonio Victor, professor e compositor."
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